Adriana Olá, assim como muito de vocês sou uma paciente com DII há mais dez anos.

Descobri a doença de Crohn quando tinha vinte e um anos, hoje tenho trinta e quatro.

Sim, já faz treze anos que convivo e aprendi a driblar os incomodos dessa doença traiçoeira e a conviver com períodos de remissão e períodos de crise intensa. Meus sintomas começaram com mais idas ao banheiro, diarreia, vômitos, falta de apetite , sangramento e febre todos os dias.

Procurei ajuda perto de casa mesmo em uma posto de saúde. O médico me disse que poderia ser algum tipo de verme. Fui fazendo exames e nada constava e o meu quadro piorando.

Em menos de dois meses eu há havia perdido quinze quilos e a debilidade aumentava.

Já não conseguindo sair da cama, com forte dores e me alimentando muito mal, uma pessoa meio distante da minha família, ficou sabendo do meu caso e me indicou um médico que ela passava e fui meio que carregada e mal consegui subir as escadas do consultório dele.

Chegando lá fui muito bem tratada e é isso que nos ajuda muito nas crises e momentos de total descrença da melhora. Ele me pediu uma colonoscopia já suspeitando do que era.

Por fim, vim para a casa já receitada com uma medicação que no meu caso não ajudou muito naquele momento, pois eu precisava de algo mais forte.

As pessoas desacreditavam que eu iria ficar boa, já eram meses de cama.

Tive que abrir mão do meu sonho que era ser comissária de bordo, parar o meu curso de inglês, apenas ia ao banheiro e do banheiro para a cama.

Via o dia lá fora acontecendo, as pessoas na rua sorrindo e se divertindo e isso chegava a me dar raiva de não poder conseguir fazer o mesmo.

Via minha família triste e presa dentro de casa por minha causa, todos pararam suas atividades para me atender. Minha mãe e me irmão me ajudavam muito, meu pai trabalhava e chegava somente á noite e ficava triste de me ver assim.

Uma das frases que não me esqueço que ele me disse ao pé da minha cama foi: "Filha, você tão nova e sofrendo tanto, se eu pudesse eu tirava isso de você e passava para mim".

Isso me deu uma tristeza imensa, mas ao mesmo tempo vontade de me livrar de tudo aquilo ali. Enfim, chegou o dia do exame e fui diagnosticada com a doença de Crohn. Me senti um E.T nesse mundo, pois nunca havia ouvido falar nisso antes. Procurei na internet sobre o assunto e só relatos tristes.. e fiquei muito péssima.

Uma coisa que eu tinha de bom era não demonstrar e chorar na frente dos meus familiares, pois já sofriam de me ver muito mal e se eu chorasse iria derrubá-los naquele momento. Na verdade eu que consolava meus amigos e parentes falando que eu iria ficar bem.

Uma das minhas preocupações era se não poderia engravidar, sempre fui doida para ter um bebê. E estando noiva na época há 6 anos, eu me entristecia e meu noivo também pelo fato de um dia eu não poder ter filhos.

Enfim, chegou o dia em que o doutor me receitou uma medicação. Muita burocracia para conseguir pois era uma medicação muito cara.

Foi dando tudo certo, tomei a medicação e em uma semana eu percebi a melhora.

Nossa! Como ficamos felizes. Daí pra frente, fui melhorando dia após dia e vendo esperança em dias melhores.

Fiquei ótima. Recuperei meu peso, pois eu com 1.83 de altura, pesava 54 quilos por conta da crise .

Se eu contar que depois da recuperação me achava até mais bonita que antes de ter a crise, vocês não acreditam...rsrsrs

Melhorei, voltei á trabalhar, fui tendo vida normal.

Após uns 3 anos e tive outra crise, veio forte, mais meses de cama e idas ao hospital . Meu relacionamento estava mal, ele terminou comigo após dez anos de união, isso piorou o meu estado e fiquei internada uma semana.

Minha medicação não fazia mais efeito, o médico começou á me pedir exames, tudo para me preparar para uma cirurgia, pois o mesmo disse que não iria esperar mais para ver o que poderia me acontecer.

adriana2Insistiu na medicação mais uma vez, quase que sem conseguir me locomover. Como que por um milagre, melhorei rápido de novo, fui me reerguendo e voltando á vida de novo...

Fato curioso que a medicação voltou á responder como o esperado. Fiquei ótima, voltei a trabalhar, meu médico ficou feliz em ver minha recuperação.

Logo em seguida passei por um stress grande, fui assaltada e quebrei o pulso e cotovelo, precisei de uma cirurgia de emergência. Mas nem o stress e a cirurgia me fizeram cair na crise. Isso aconteceu em 2013 e até hoje estou ótima. No mesmo ano conheci o que seria meu marido hoje.

Estava com a doença bem controlada, que decidi fazer a minha primeira tatuagem, uma frase "GRACIAS A LA VIDA", decidi fazer por tudo que havia passado até então.

Meu tatuador, hoje meu marido. Faz 3 anos que estamos juntos e nesse ano nasceu meu filho no dia 24/05/2016. Engravidei ano passado. Foi uma alegria tremenda e medo ao mesmo tempo, pois eu não sabia como iria se comportar a doença. Mas foi ótimo, acompanhei com o meu médico fiz também o pré-natal direitinho.

Não tive nenhum sintoma da doença de Crohn na gestação, era como se eu tivesse curada. Meu filho Pedro nasceu de parto cesárea e foi um sucesso.

Hoje me sinto realizada. Me cuido em relação aos alimentos e tento não ser mais ansiosa e nervosa como eu era. Continuo com o meu acompanhamento e tratamento.

E o mais importante é não desanimar e ter fé sempre que dias melhores virão.

As vezes algumas coisas ruins na vida nos acontecem, para fazermos uma avaliação de onde estamos errando e poder refletir mais sobre o nosso corpo e saúde. Nunca desanimem, aprendam a viver nas crises, dando um tempo ao tempo e aprendam a desfrutar das melhores coisas da vida na remissão dos sintomas.

Vida e saúde é o que desejo à todos.

Minha História de Vida



  • A pior dor do mundo é aquela que você está passando no momento, não importa a intensidade, desde que ela te atrapalhe a viver!

    Thiago Monteze



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  • A princípio você acha que o mundo vai acabar que nunca mais vai poder fazer, nem comer nada, que viverá restrita a um banheiro.... Depois vê que nada disso é verdade!

    Joyce



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  • Dias ruins são inevitáveis, porém eles podem passar e os dias bons voltam. Vale muito a pena ter paciência por que até o pior dia da sua vida só vai durar 24 horas.

    Gisele



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  • Há esperança sim! Há muito mais que esperança! Eu diria que a minha certeza é que a doença de Crohn não tem cura AINDA!

    Sandra Saud



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  • A doença me deu sentido na vida e me tornei uma pessoa melhor, aprendi a dar mais valor na família e a tudo de mais simples que possa existir.

    Daniele Cursino Gonçalves



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  • Tudo no começo é difícil, dieta nova, rotina nova. Demorou para ‘cair a ficha’. Mas hoje já lido com naturalidade, aceito e obedeço minha dieta.

    Maykon Sanches



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  • Nunca desanimem, aprendam a viver nas crises, dando tempo ao tempo e aprendam a desfrutar das melhores coisas da vida.

    Adriana Cerdeira



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  • A doença de Crohn não me impediu de fazer nada, ao contrário, gosto de mostrar às pessoas e a mim mesma que sou capaz de fazer!

    Angélica Vilas Bôas



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  • Fui obrigada a aprender a conviver com a doença ... mas a minha vida está bem melhor.

    Janaina Braga



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  • Se eu puder dar um conselho,não abandone seu tratamento, vá ao psicólogo e cuide da dieta!

    Thaís Rufino



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  • Há cinco tenho tido uma vida praticamente normal. Isso se deve, sem sombra de dúvidas, ao cuidado e orientações que venho recebendo.

    Edilson Vicente de Lima



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  • Aprendi a valorizar mais a vida, as pessoas, a doença me trouxe também muitas coisas positivas.

    Deissy Kelly Pereira dos Santos



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