Ostoma, ostomia, estoma ou estomia são palavras que possuem o mesmo significado, derivado do grego em que “osto” é boca e “tomia” abertura. Estomas do tubo digestivo são comunicações diretas de qualquer víscera oca com a superfície do corpo; por exemplo: esôfago (esofagostomia); estômago (gastrostomia); jejuno (jejunostomia); íleo (ileostomia) e o cólon (colostomia).

O estoma intestinal é um procedimento cirúrgico onde é realizada uma abertura no abdome e exteriorizado um segmento da alça intestinal, por onde o conteúdo dos intestinos será expelido e coletado por uma bolsa externa.

A diferença entre ileostomia e colostomia é anatômica, quando realizamos a exteriorização do íleo terminal (intestino delgado), denominamos ileostomia, quando exteriorizamos qualquer segmento do cólon, denominamos colostomia.

As estomias podem ser temporárias ou definitivas. As temporárias como o próprio nome já sugere, tem possibilidades de reversão. Podemos indicar a reconstrução do trânsito intestinal ou fechamento de estomia dependendo da cirurgia anteriormente realizada. Os estomas permanentes, são as estomias confeccionadas de maneira definitiva, sem possibilidades de reversão. Existem várias indicações de estomia definitiva, mas a principal delas é o tumor de reto próximo ao ânus (amputação do reto).

O intervalo de tempo para reversão da estomia temporária, varia de 1 a 4 meses e depende da região da cirurgia, do diagnóstico primário, da recuperação e condições clínicas do paciente e a certeza do sucesso no tratamento da área anteriormente comprometida.

Em geral, as estomias intestinais são indicadas no intuito de se desviar o trânsito fecal do local patologicamente comprometido. As principais indicações operatórias são: má formação congênita do intestino, tumores intestinais, doença inflamatória intestinal, traumas abdominais, entre outras.

As complicações na confecção das estomias são divididas em precoces e tardias. Ambas são possíveis de tratamento, seja com tratamento e cuidados no local da estomia ou com correção cirúrgica. As complicações precoces mais comuns são: necrose parcial ou total da estomia, retração, infecção e/ou abscesso local, fístulas, sangramento ou edema da alça intestinal exteriorizada. As complicações tardias são: a estenose (estreitamento da boca da estomia), retração tardia, as fístulas, as dermatites, prolapsos e a hérnia paraestomal.


Anatomia


Crédito: GEDIIB - Unimagem

Colostomia


Crédito: GEDIIB - Unimagem

Ileostomia


Crédito: GEDIIB - Unimagem

Colectomia


Crédito: GEDIIB - Unimagem


Temas Importantes

História da Estomaterapia

A estomaterapia é uma especialidade do enfermeiro. Sua história relaciona-se com a história da medicina e da cirurgia, visto que com a evolução das técnicas cirúrgicas, em especial da cirurgia intestinal, a confecção de estomias ganhou espaço no tratamento cirúrgico de diversas doenças, como o câncer, as doenças inflamatórias, traumas dentre outras.

As dificuldades para o cuidado da pessoa com estomia motivaram Dr Rupert Beach Turnbull Jr, medico cirurgião da Cleveland Clinic, nos Estados Unidos da América (EUA) a convidar Norma Gill-Thompson, sua paciente ileostomizada e bem adaptada a nova condição, a auxiliá-lo no processo de reabilitação de seus pacientes, no ano de 1958. Norma Gill é considerada a primeira estomaterapeuta e a “mãe da estomaterapia mundial”.

Assim, um programa de educação direcionado para pacientes com estomias no primeiro momento teve inicio, mas em 1961 foi criado o programa de educação formal em estomias e reabilitação, que foi ganhando destaque e enfermeiras passaram a participar, sua ênfase estava nos aspectos práticos do cuidado.Em 1968 foi constituída a primeira organização de estomaterapeutas nos EUA 1,2.

Gradativamente outros cursos passaram a acontecer em outros pontos dos EUA e também fora do país e conferenciais anuais e Congressos passaram a acontecer, culminando com a criação do World Council of Enterostomal Therapists: na association of nurses (WCET), em 1978, com objetivo de promover a identidade da estomaterapia no mundo e o intercâmbio entre especialistas, padronização de condutas, aumento da qualidade da assistência a pessoas com estomias, feridas crônica e agudas e incontinência urinária e anal 1,2,3.

No Brasil, a especialidade teve início oficial com a criação do I Curso de especialização (lato sensu) em Enfermagem em estomaterapia, na Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP), em 1990. Em 1992,pela Profa Dra Vera Lucia C G Santos e Dr Afonso Henrique Souza Silva Jr. A Profa Vera é considerada a “mãe da estomaterapia brasileira”. Até 1998 foi o único curso no país. Em 1999 acontece o curso da Universidade Estadual do Ceará, seguido em 2000, do curso da Universidade de Taubaté (SP). Atualmente o Brasil já possui 18 cursos de especialização, em diversos estados.

Em 1992, foi criada a Associação Brasileira de Estomaterapia:estomias, feridas e incontinências, é uma sociedade civil de caráter científico e cultural 1,2.

A estomaterapia no Brasil, neste ano (2015) completa 25 anos, com muitas conquistas, uma vez que os especialistas participam ativamente da assistência e gerenciamento da assistência em estomaterapia, ensino, pesquisa, consultoria e também das políticas públicas relacionadas às necessidades das pessoas com estomias, feridas e incontinências. Dentre as conquistas destacam-se: a portaria 400 de 16/11/2009, que estabelece a Diretriz Nacional para atenção à saúde das pessoas ostomizadas no Sistema Único de Saúde (SUS), a Revista Estima, único periódico científico da América Latina Especializado, conferências, seminários, jornadas e Congressos, destinados à divulgação de cuidados especializados1.

O enfermeiro estomaterapeuta é um profissional capacitado para cuidar com destreza e segurança de pessoas com estomias, feridas e incontinências, no âmbito hospitalar e ambulatorial, bem como na assistência domiciliar, possui também conhecimento sobre as diversas tecnologias disponíveis no mercado, podendo auxiliar paciente, familiares e cuidadores na atenção às pessoas que necessitam de cuidados especializados.

Referências

Thuler SR, Paula MAB, Silveira NI (Orgs). Sobest: 20 anos. Campinas : Arte Escrita, 2012.
Santos VLCG. A estomaterapia através dos tempos. In: Santos VLCG, Cesaretti IUR. Assistência em estomaterapia: Cuidando do ostomizado. São Paulo: Atheneu, 2000.
Gill-Thompson N.Enterostomal therapy: FROM THE BIBLE UNTIL TODAY. World Coun Enterostom Ther J, 10:30-4, 1990.

Profa Dra Maria Angela Boccara de Paula - TiSobest

Presidente da Associação Brasileira de Estomaterapia - Sobest
Editora da Revista Estima
Professor Doutor do Departamento de Enfermageme e Nutrição
Coordenador Adjunto do Programa de Mestrado em Desenvolvimento Humano
Universidade de Taubaté

Complicações em Estomas e Pele Periestoma

A cada ano, milhares de pessoas necessitam construir um estoma. Qualquer que seja a razão, câncer, traumas, doenças inflamatórias, etc, a pessoa com estomia passa por transformações que interferem no seu dia a dia e por isso, apresentam muitas dúvidas, preocupações e dificuldades.

O estoma mudará nas primeiras semanas após a cirurgia em relação ao tamanho e características da eliminação das fezes e/ou urina. Além disso, pode haver também ganho ou perda de peso. A localização do estoma depende da parte do corpo que foi afetada. As Ileostomias e Colostomias estão relacionadas com o sistema digestório e saída de fezes, as Urostomias ao sistema urinário e saída de urina, portanto a localização no abdômen varia para cada indivíduo.

O paciente que se submete a cirurgia e torna-se um portador de estomia tem a possibilidade de desenvolver complicações a qualquer momento no pós-operatório, em decorrência de vários motivos, idade, alimentação, técnica cirúrgica inadequada, dificuldade no autocuidado, esforço físico excessivo, cicatrizes anteriores, dobras abdominais, obesidade e etc., que podem estar relacionadas com o estoma ou com a pele periestoma, sendo algumas mais frequentes no pós-operatório precoce e outras no pós-operatório tardio.

No pós-operatório precoce, cerca de até 7 dias após a cirurgia, destacam-se o edema (inchaço), a hemorragia (sangramento), a necrose (estoma preto, acinzentado) e o descolamento mucocutâneo (pontos se soltam da pele e estoma). Já no pós-operatório tardio ressalta-se o prolapso (saída da alça intestinal), a retração (afundamento da alça), a hérnia paracolostomal (abaulamento do abdômen ao redor do estoma) e as dermatites (irritações na pele periestoma) que podem ocorrer a qualquer momento da vida da pessoa com estomia.

O maior desafio está relacionado aos vazamentos. O contato de fezes e urina com a pele ao redor do estoma é a maior causa de irritações de pele. Uma vez que a pele torna-se irritada, o adesivo não se fixará adequadamente. Inicia-se então um ciclo vicioso de mais episódios de vazamento e irritações de pele.

É importante detectar a presença dessas complicações precocemente, conferindo sempre as condições do estoma, pele periestoma e o adesivo durante as trocas de equipamentos e procurar ajuda profissional quando necessário para que o melhor cuidado seja indicado.

Os adjuvantes são produtos desenvolvidos para solucionar essa variedade de complicações, sendo utilizados nessas ocasiões para prevenção ou para reforçar a aderência dos equipamentos coletores (bolsas) e proporcionar melhor adaptação e segurança. Eles consistem em pastas, tiras, pó, placas protetoras, cintos, fitas adesivas flexíveis de resina sintética, sendo a pasta um dos produtos mais utilizados. Todos são produzidos com produtos hidrocoloides, resinas amigáveis à pele e que absorvem o excesso de umidade.

A correção das irregularidades, vincos e depressões deve ser realizada com uso de tiras moldáveis ou pasta hidrocoloide, o que aumenta a adesividade entre a base e a pele, prevenindo assim os vazamentos e consequentes lesões.

O pó possui excelente capacidade de absorção de umidade, secreção e exsudatos, mantendo a pele seca e reduzindo a sua irritação, ideal para o tratamento das dermatites úmidas. As Placas Protetoras (quadradas) e Fitas Elásticas (em arco) são adesivos flexíveis, elásticos e macios que proporcionam proteção à pele ao redor do estoma, absorção de umidade, propriedades cicatrizantes e aumentam a área de adesividade e sensação de segurança.

Os cintos devem ser utilizados para auxiliar e melhorar a sustentação no abdome, garantindo segurança quando necessário e em associação ao uso de barreiras convexas no caso de estomas retraídos.

O uso dos adjuvantes é de suma importância para a boa adaptação da pessoa a sua condição atual, proporcionando o melhor cuidado, protegendo a pele, corrigindo as complicações e possibilitando o retorno às atividades do dia a dia, convívio social e trabalho com qualidade de vida.

Thais Salimbeni
Enfermeira Estomaterapeuta

Dispositivo Coletor ou Bolsa para Ostomia e adjuvantes para estoma intestinal ou urinário

Dispositivo Coletor ou Bolsa para Ostomia recebeu a padronização da nomenclatura “Equipamento Coletor” pela SOBEST (Sociedade brasileira de Estomaterapia) com o objetivo de definir as características operacionais dos Equipamentos para estomia. Neste artigo iremos utilizar os termos populares, facilitando a compreensão do tema abordado.

A integridade da pele periestoma é fundamental para qualidade de vida, pois favorece a adesão e manutenção do dispositivo coletor ( Bolsa para ostomia), componente essencial no processo de reabilitação do Estomizado.

O Dispositivo coletor para estoma intestinal e urinário é constituído por uma base adesiva com resina de barreira protetora de pele e Bolsa coletora (saco plástico) para armazenamento e drenagem do efluente esperado (fezes ou urina).

Encontra-se disponível no mercado basicamente dois tipos de Dispositivo:

Dispositivo de Uma peça ou Peça única: consiste de uma Base Adesiva com ou sem acréscimo de adesivo microporoso, prensada em uma bolsa coletora drenável ou fechada.
dispositivo uma peca ou peca unica

 


Dispositivo de Duas peças ou Composto: consiste de uma Base Adesiva com flange fixa para encaixe com ou sem adesivo microporoso que conecta na bolsa coletora com flange adaptador correspondente drenável ou fechada.
dispositivo duas pecas composto

 

 

Principais características das Bases Adesivas

Base Adesiva plana – indicado para estomas protrusos, ou seja, que encontrasse salientes na parede do abdômen.
base adesiva plana

 


Base Adesiva convexa – indicado para estomas plano, invaginado, retraído ou inserido em regiões de irregulares do abdômen.
base adesiva convexa

 

 

Área de acomodação do estoma na base adesiva pode ser:

Base adesiva Recortável - apresenta uma abertura mínima de 10 mm podendo ser recortadas até uma área delimitada por cada fabricante. Essa característica permite o recorte com uma tesoura para ajustar-se a diversos tamanhos e formas do estoma.
base adesiva recortavel

 


Base adesiva Pré-cortada - apresenta uma abertura circular correspondente a um tamanho definido, para atender uma população específica. Exemplo: 19 mm, 32 mm, 45 mm, etc.
base adesiva pre cortada

 

 


Base adesiva Moldável - apresenta uma área de moldagem manual para o ajuste personalizado de diversos tamanhos e formas do estoma não sendo necessário o uso de uma tesoura.
base adesiva moldavel

 

 

Bolsa Coletora

Bolsa coletora para estoma intestinal - Possui canal de drenagem para o esvaziamento do efluente na parte inferior que pode ter um sistema de fechamento integrado ou através da utilização de presilha (clip).
bolsa coletora para estoma intestinal

 


Bolsa coletora fechada - Sua indicação é específica para estomizados com regularidade de eliminação (colostomia descendente ou sigmoide), pois não possuem abertura na parte inferior do dispositivo, sendo necessário descartá-la após seu uso.
bolsa coletora fechada

 

 


Bolsa coletora de URO - É um sistema específico para estomizado com desvio urinário. A bolsa coletora apresenta válvula antirrefluxo, que impede o retorno da urina para o estoma e válvula distal de esvaziamento compatível ao coletor urinário noturno ou de perna disponíveis no mercado.
bolsa coletora uro

 

Adjuvantes para estoma intestinal ou urinário

- Barreiras protetoras em: pasta, placa, disco, tiras e anéis - auxiliam na manutenção da base adesiva, nivelando ou preenchendo irregularidades da pele periestoma ou na presença de complicações.
- Barreira protetora em pó: indicado para auxiliar na regeneração da pele lesionada (Dermatite).
- Formador de película para pele: Promove formação de uma película transpirável e impermeável a umidade quando aplicado sobre a pele. Indicado para pele periestoma frágil ou com risco de lesão.
- Cinto elástico regulável: é um equipamento de segurança, essencial para estomas retraídos, invaginados e mal localizados auxiliando na manutenção da base adesiva convexa.
- Presilha ou clip: utilizado para realizar o fechamento da bolsa coletora drenável sem fechamento acoplado. Disponível no mercado de material plástico e resistente para reutilização ou flexível de espuma de poliuretano com adesivo descartável.
- Removedor ou Liberador de adesivos: facilita a remoção atraumática da base adesiva aplicada sobre a pele.
- Filtro de carvão ativado: auxilia na eliminação de gases do interior da bolsa coletora para o meio ambiente sem odor. Pode ser avulso ou acoplado a bolsa coletora.
- Espessante para efluente: São polímeros absorventes que geleificam na presença de líquidos, sendo indicado para ileostomizado, devido às características do efluente. Podem ser comercializados em frasco ou sachês hidrossolúveis com carvão ativado.

Equipamento coletor e/ou adjuvantes deve sempre ser indicado pelo Estomaterapeuta ou Enfermeiro habilitado, levando em consideração o tipo de estoma, altura do estoma, características do efluente e do Estomizado.


Elaine Cristina Pedroza
Estomaterapeuta

Aspectos Psicológicos dos Estomizados

Estoma é um termo de origem grega que significa boca ou abertura cirúrgica com o objetivo de desviar temporária ou permanentemente um segmento do transito intestinal através de eliminação do conteúdo fecal em uma bolsa coletora aderida ao abdome; esse procedimento se faz necessário para controlar alguma patologia intestinal ou ainda traumas e acidentes; porém, não apenas mudanças físicas ocorrem, na pratica clinica observamos manifestações de fatores emocionais após a confecção de um estoma e um impacto em diversos aspectos da vida das pessoas, envolvendo não apenas alteração física visível, mas também mudanças significativas na autoimagem podendo causar conflitos internos que podem interferir nas relações com o mundo externo, algumas pessoas podem apresentar sentimentos negativos e desvalorização de si mesmo, ficarem abaladas, com maior dificuldade de adaptação ao dispositivo, prejuízos em integrar segurança e autonomia e assim isolando e privando de ter uma vida normal.

O impacto emocional repercute também na sexualidade, é comum pessoas portadores de estomia apresentarem rebaixamento de satisfação consigo mesmo e sentirem-se menos sensuais, com vergonha e medo de rejeição do(a) parceiro(a), receio de odores desagradáveis, ou da bolsa estourar, no entanto, a sexualidade aqui entendida como uma relação complexa que compõe significados e simbolização do desejo e não apenas do prazer fisiológico, mas principalmente da percepção do próprio corpo, dos valores afetivos e sexuais , neste sentido, sexualidade não significa simplesmente um coito ou orgasmo, mas sim energia do contato consigo mesmo e com outro, propiciando através deste encontro, prazer e intimidade da relação, influenciando sentimentos, pensamentos e afetando sincronicamente a vida física e mental. Geralmente, casais que mantinham uma relação afetiva e sexual estável antes da cirurgia não manifestam desestruturação, mas sim fortalecimento do vinculo de apoio, o contrario também ocorre quando o casal já vinha em relacionamento conjugal conflituoso o impacto de uma estomia pode ser maximizado e resultante até de separação, porém a estomia certamente não será a causa, mas a gota d’água de uma relação que já estava frágil ou falida, sem suporte de amor e tolerância.Aspectos psicológicos do paciente estomizado

Estoma é um termo de origem grega que significa boca ou abertura cirúrgica com o objetivo de desviar temporária ou permanentemente um segmento do transito intestinal através de eliminação do conteúdo fecal em uma bolsa coletora aderida ao abdome; esse procedimento se faz necessário para controlar alguma patologia intestinal ou ainda traumas e acidentes; porém, não apenas mudanças físicas ocorrem, na pratica clinica observamos manifestações de fatores emocionais após a confecção de um estoma e um impacto em diversos aspectos da vida das pessoas, envolvendo não apenas alteração física visível, mas também mudanças significativas na autoimagem podendo causar conflitos internos que podem interferir nas relações com o mundo externo, algumas pessoas podem apresentar sentimentos negativos e desvalorização de si mesmo, ficarem abaladas, com maior dificuldade de adaptação ao dispositivo, prejuízos em integrar segurança e autonomia e assim isolando e privando de ter uma vida normal.

O impacto emocional repercute também na sexualidade, é comum pessoas portadores de estomia apresentarem rebaixamento de satisfação consigo mesmo e sentirem-se menos sensuais, com vergonha e medo de rejeição do(a) parceiro(a), receio de odores desagradáveis, ou da bolsa estourar, no entanto, a sexualidade aqui entendida como uma relação complexa que compõe significados e simbolização do desejo e não apenas do prazer fisiológico, mas principalmente da percepção do próprio corpo, dos valores afetivos e sexuais , neste sentido, sexualidade não significa simplesmente um coito ou orgasmo, mas sim energia do contato consigo mesmo e com outro, propiciando através deste encontro, prazer e intimidade da relação, influenciando sentimentos, pensamentos e afetando sincronicamente a vida física e mental. Geralmente, casais que mantinham uma relação afetiva e sexual estável antes da cirurgia não manifestam desestruturação, mas sim fortalecimento do vinculo de apoio, o contrario também ocorre quando o casal já vinha em relacionamento conjugal conflituoso o impacto de uma estomia pode ser maximizado e resultante até de separação, porém a estomia certamente não será a causa, mas a gota d’água de uma relação que já estava frágil ou falida, sem suporte de amor e tolerância.

Ao longo da vida construímos uma imagem de nós mesmos, nosso corpo ajustado aos valores, costumes e ambiente em que vivemos representa como estamos situados no mundo, algumas pessoas que passaram por mudanças na autoimagem corporal e autoconceito se sentem diferentes e excluídas, e como forma de proteção a essa insegurança de exposição passam a se isolar ainda mais aumentando o ciclo e dificuldade de relacionamentos e convívio social saudável.

Observamos que o restabelecimento ocorrerá após o processo semelhante ao luto comparado as dificuldades emocionais referentes à perda da autoimagem corporal, assim é comum o comportamento de negarem a estomia com resistência em olhar e trocar a própria bolsa, uma fase posterior é a tentativa de barganhas e promessas para voltar tudo como era antes, também muito comum o aparecimento de revolta com o questionamento (porquê logo comigo?), sucedendo um período de depressão, porém, a adaptação ocorrerá após a fase de aceitação e enfrentamento pratico da situação, assim, o autocuidado propiciará uma retomada da autonomia e independência.

No entanto, alguns pacientes são mais resilientes e convivem mais facilmente a essas mudanças sem grandes impactos, e, passado a aceitação e período de adaptação a maioria dos portadores podem e devem ter uma vida normal, mesmo porquê esse foi o propósito da confecção de uma estomia, controlar o problema de saúde e viver plenamente com os mesmos prazeres de antes, se disponibilizando a aprender e adaptar-se a nova forma de higienização e recursos que o dispositivo oferecem de segurança e discrição, adequando roupas ao seu estilo pessoal e permitindo o retorno as atividades profissionais e de lazer.

De modo geral, o tempo será um grande aliado à busca de bem estar, e sem duvida, o suporte e orientações da equipe de saúde, bem como o apoio dos vínculos afetivos, conjugal e familiar será fundamental para a retomada da qualidade de vida.

Ao longo da vida construímos uma imagem de nós mesmos, nosso corpo ajustado aos valores, costumes e ambiente em que vivemos representa como estamos situados no mundo, algumas pessoas que passaram por mudanças na autoimagem corporal e autoconceito se sentem diferentes e excluídas, e como forma de proteção a essa insegurança de exposição passam a se isolar ainda mais aumentando o ciclo e dificuldade de relacionamentos e convívio social saudável. Observamos que o restabelecimento ocorrerá após o processo semelhante ao luto comparado as dificuldades emocionais referentes à perda da autoimagem corporal, assim é comum o comportamento de negarem a estomia com resistência em olhar e trocar a própria bolsa, uma fase posterior é a tentativa de barganhas e promessas para voltar tudo como era antes, também muito comum o aparecimento de revolta com o questionamento (porquê logo comigo?), sucedendo um período de depressão, porém, a adaptação ocorrerá após a fase de aceitação e enfrentamento pratico da situação, assim, o autocuidado propiciará uma retomada da autonomia e independência. No entanto, alguns pacientes são mais resilientes e convivem mais facilmente a essas mudanças sem grandes impactos, e, passado a aceitação e período de adaptação a maioria dos portadores podem e devem ter uma vida normal, mesmo porquê esse foi o propósito da confecção de uma estomia, controlar o problema de saúde e viver plenamente com os mesmos prazeres de antes, se disponibilizando a aprender e adaptar-se a nova forma de higienização e recursos que o dispositivo oferecem de segurança e discrição, adequando roupas ao seu estilo pessoal e permitindo o retorno as atividades profissionais e de lazer. De modo geral, o tempo será um grande aliado à busca de bem estar, e sem duvida, o suporte e orientações da equipe de saúde, bem como o apoio dos vínculos afetivos, conjugal e familiar será fundamental para a retomada da qualidade de vida.

Cleide Rodrigues
Psicóloga | CRP 06/45987

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Ostomizado em movimento

Com certeza a maior preocupação de uma pessoa ostomizada ou estomizada é o cuidado com os equipamentos (bolsas de ostomias). Mas é muito importante cuidarmos não só da parte clínica como também da parte física e psicológica, e um assunto importante que vamos abordar agora é ATIVIDADE FÍSICA.

A motivação em tratar deste tema apareceu, pois em minha convivência com os pacientes ostomizados, é muito raro ouvir relatos sobre exercícios físicos. É importante dizer que cada ser é único, e o retorno do paciente as suas atividades normais, irá variar de paciente a paciente. Quem determinará este retorno após consultas é a equipe multidisciplinar.

A atividade física poderá lhe trazer diversos benefícios, dentre eles, a melhora da circulação sanguínea, diminuição do risco de doenças cardíacas, fortalecimento dos ossos e sistema imune, equilíbrio corporal, e controle do peso. Além dos benefícios psicológicos como socialização, autoestima, melhora do humor, entre outros.

Um tema que está sendo bastante discutido entre e comunidade médica é a melhor recuperação de pacientes submetidos à radioterapia, após atividades físicas.

Conforme disse anteriormente, cada ser é único, portanto, vale a pena procurar uma atividade que lhe agrade e que lhe traga maior prazer. O importante é estar em movimento! E para isso seguem algumas dicas para quem deseja iniciar qualquer atividade física:

1 – A primeira dica é sempre procurar um médico para uma avaliação prévia, ele lhe indicará qual atividade será mais adequada de acordo com seu quadro clínico;

2 – Procure um profissional de Educação Física, ele lhe dará orientações de como iniciar e terminar as atividades, além de lhe preparar e acompanhar sua evolução;

3 – Converse com a equipe multidisciplinar, ela lhe dará dicas importantes sobre o que levar para a prática esportiva, como a bolsa de ostomia mais adequada, faixas, etc.

4 – Utilize sempre roupas leves e confortáveis e calçados adequados para a atividade física como tênis.

5 – Monte grupos, a atividade física se torna mais prazerosa quando é realizada junto a pessoas que gostamos;

6 – Faça alongamentos no início e final da atividade, isso poderá evitar contusões e dores após as atividades.

Não existem contraindicações em relação a atividades físicas para ostomizados, basta seguir as orientações de seu médico. Porém, é preciso cautela para alguns esportes de contato como futebol e basquete que podem gerar lesões ao estoma, e atividades com peso excessivo que podem ocasionar hérnias. Caminhadas ao ar livre, corridas, musculação moderada, bicicleta, e até natação ou hidroginástica são algumas sugestões.

Minha última dica e não menos importante é que estamos sempre ganhando novas chances divinas para viver, portanto viva da melhor forma possível e procure sempre evoluir com as dificuldades. Espero ter ajudado e motivado vocês a iniciar uma atividade física.

Rafael Oliveira
Educador Físico

 

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